Perguntas e respostas do ADA: por dentro do mundo de Cyberpunk 2077

A nighttime street scene from Cyberpunk 2077 dominated by a massive pyramid-shaped building whose geometric steel frame glows with teal neon light. The sign at its base reads "Beautiful Hearts Club," while searchlights sweep the dark sky above and holographic billboards drift overhead. Palm trees and a dense wall of neon signage line the street to the left, as a lone car cruises toward the pyramid.

Um dos jogos para Mac mais exigentes do ponto de vista técnico e ambiciosos no aspecto visual, Cyberpunk 2077 apresenta um detalhado mundo distópico de tirar o fôlego, cujos interiores intricados, designs futuristas distintos de veículos e arte de personagens ousada transmitem uma sensação de glamour, realismo cru e um ambiente genuinamente vivido. Do ponto de vista técnico, Cyberpunk 2077 é um campeão de peso: o jogo aproveita ao máximo o Apple Silicon, os shaders do Metal, o MetalFX Frame Interpolation e o MetalFX Denoising, além do path tracing em chips de ponta, e a configuração “Para este Mac” otimiza automaticamente a taxa de quadros e a fidelidade visual para cada dispositivo.

Conversamos com Paweł Sasko, diretor associado do jogo, sobre a adaptação de Night City para o Mac.


Cyberpunk 2077: Ultimate Edition

  • Nome da equipe: CD PROJEKT RED
  • Disponível para: Mac
  • Sede: Polônia
  • Categoria: Elementos gráficos e visuais

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Para um jogo tão complexo do ponto de vista técnico, qual foi a decisão de design mais difícil que você teve que tomar?

Sasko: Equilibrar o aumento de desempenho com a preservação da identidade visual do jogo não foi tarefa fácil. O jogo depende fortemente de camadas densas de iluminação, materiais reflexivos, efeitos volumétricos, ray tracing e todos esses sistemas visuais em camadas que definem Night City. Teria sido fácil reduzir a qualidade em cenas complexas, mas isso teria prejudicado a atmosfera e o impacto emocional do mundo. Por isso, dedicamos uma quantidade enorme de tempo à criação de perfis, refinando as configurações uma a uma, validando cenas repetíveis e otimizando sistemas para que pudéssemos manter tanto a fidelidade quanto a estabilidade.

No lado do design, um dos maiores debates foi sobre a verdadeira identidade da franquia Cyberpunk. No início, Cyberpunk 2077 finge ser uma fantasia sobre se tornar um fora da lei lendário em Night City — carros velozes, fama, dinheiro, todo esse glamour. Mas a verdadeira história é muito mais sombria e pessoal: trata-se de uma doença terminal e de como você lida com ela. Encontrar o equilíbrio certo entre esses elementos narrativos — liberdade do jogador, um mundo aberto com uma narrativa cinematográfica forte em primeira pessoa e temas existenciais — exigiu muitas iterações e discussões. Queríamos que o jogo entretivesse, mas também que afetasse genuinamente o emocional dos jogadores muito tempo depois de terem terminado a aventura.

A dramatic low-angle shot from Cyberpunk 2077 of Johnny Silverhand — long dark hair, red-tinted aviator sunglasses, a gleaming cybernetic arm — leaning casually against a railing as haze drifts around him. He wears a black sleeveless vest and dog tags, and his expression is cool and confrontational. Harsh overhead lighting cuts through the smoke, casting hard shadows across his face and chrome arm..

Do que você mais se orgulha, mesmo que não esteja visível no produto final?

Sasko: Existe uma regra não escrita no desenvolvimento de jogos: se tudo funciona perfeitamente, ninguém percebe quanto trabalho foi necessário. Mas, no momento em que um único componente se comporta de maneira estranha — ritmo de quadros, streaming, comandos, iluminação, animação, fluxo da interface —, dá para sentir que algo está errado.

É desse acabamento invisível que mais me orgulho. Nos bastidores, foram anos de criação de perfis, otimização, validação de shaders, ciclos de testes, reformulações da arquitetura e iterações constantes em diversas configurações de hardware. Até mesmo pequenos detalhes, como a alternância de apps, o comportamento em tela cheia, a calibração de HDR, a capacidade de resposta dos controles e a transição entre monitores, foram importantes para nós, porque queríamos que o Cyberpunk no Mac parecesse verdadeiramente nativo. Quando os jogadores conseguem simplesmente iniciar o jogo e mergulhar totalmente em Night City sem pensar na tecnologia por trás disso, é aí que você sabe que o trabalho valeu a pena.

Quais ferramentas ou tecnologias da Apple foram centrais para o seu processo?

Sasko: O Game Porting Toolkit nos permitiu avaliar o jogo em um ambiente traduzido antes mesmo de começarmos a escrever código nativo. Isso nos proporcionou informações valiosas logo no início: uma visão sobre como estava o tempo de quadro, se os pontos de gargalo estavam relacionados à CPU ou à GPU e quais sistemas precisavam de mais atenção assim que passássemos para o código nativo.

A partir daí, a API Metal e o Metal Shader Converter tornaram-se fundamentais para o processo de renderização. O MetalFX com Dynamic Resolution Scaling também se tornou uma parte importante da nossa estratégia, pois nos ajudou a manter um desempenho estável nos cenários de jogabilidade mais exigentes, preservando a qualidade da imagem. Além disso, integramos recursos da plataforma como HDR por meio do pipeline de EDR da Apple, Áudio Espacial com rastreamento de cabeça para AirPods, Modo Jogo, suporte nativo a controles e salvamentos no iCloud para que o jogo parecesse natural no macOS.

A sweeping nighttime cityscape from Cyberpunk 2077, looking up from a dense neighborhood of low, rain-slicked rooftops toward a wall of towering skyscrapers blanketed in neon advertisements. Signage in Japanese and English competes for attention, including a massive red neon sign reading "24時間営業" (open 24 hours) in the foreground.

Como alguém com experiência em projetos como esse, que conselho você daria a um desenvolvedor ou designer de jogos que está apenas começando?

Sasko: Acredito sinceramente que os videogames estão se tornando uma das formas mais importantes de entretenimento e expressão artística devido à sua complexidade. Os jogos combinam narrativa, tecnologia, música, arte, design de sistemas, cinematografia, psicologia e autonomia do jogador, tudo ao mesmo tempo. Não há nada parecido com eles, e acho que esse meio só vai ganhar mais respeito com o passar do tempo.

Portanto, meu principal conselho é: continue criando coisas, o tempo todo. Grandes produções como Cyberpunk 2077 são, na verdade, apenas milhares de pequenos problemas resolvidos passo a passo ao longo de muitos anos. Aprenda a iterar sem ego, não importa o quão difícil seja. Teste as coisas, quebre-as, redesenhe-as, aprimore-as e repita. As pessoas que crescem mais rápido geralmente são aquelas que permanecem curiosas, adaptáveis, colaborativas e apaixonadas. E, sinceramente, ver os jogadores se conectarem emocionalmente com um mundo que sua equipe criou em conjunto é uma das melhores sensações do mundo.


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