Perguntas e respostas do ADA: Fontes do Primary

A screen from Primary is shown in a video player floating in a virtual living room. The video depicts rescue workers in orange life vests wading through floodwaters toward a boat at golden hour.

Primary: News in Depth é um app espacial de notícias para o Apple Vision Pro criado pela jornalista Maura Axelrod e pelo cineasta imersivo Sam Baumel e que conta com uma rede de colaboradores em todo o mundo. O app destaca notícias urgentes e temas essenciais por meio de vídeos espaciais que resistem ao sensacionalismo e ao clickbait. Com uma interface minimalista e precisa, o Primary se afasta com discrição e permite que a notícia ocupe plenamente o centro da experiência.

Conversamos com Axelrod e Baumel para entender como eles ajudaram a levar uma nova forma de jornalismo a um setor em plena transformação.


Primary: News in Depth

  • Disponível em: visionOS
  • Tamanho da equipe: 2
  • Baseado em: Estados Unidos
  • Categoria: Impacto social

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Qual era a ideia inicial por trás do Primary?

Baumel: Percebemos que o jornalismo imersivo não precisava mais ficar restrito a produções altamente especializadas. Quando o vídeo espacial começou a ser disponibilizado no iPhone, tornou‑se possível para repórteres em campo registrar esse tipo de material como parte da rotina diária de apuração. Essa mudança abriu espaço para um modelo de cobertura completamente diferente. Ficamos entusiasmados com a possibilidade de tornar a reportagem mais imersiva, mais conectada ao trabalho realizado no terreno e sobretudo, muito mais escalável.

Como você começou?

Axelrod: Havia três grandes motivações para o projeto. A primeira era a narrativa: acreditávamos que o vídeo espacial tinha a capacidade de aproximar as pessoas de uma história de um jeito que formatos tradicionais às vezes não conseguem. A segunda motivação vinha da transformação do próprio jornalismo. Estamos assistindo a uma mudança acelerada no cenário das notícias, organizações tradicionais desaparecendo ou encolhendo, enquanto novas formas de reportagem, distribuição e engajamento surgem. A terceira motivação importante era o avanço da desinformação e do conteúdo gerado por IA. Acreditamos que o valor do jornalismo autêntico — feito por pessoas que realmente estavam lá, documentando eventos reais em tempo real — está crescendo.

Os jornalistas são realmente o coração da organização. O crédito pelo que as pessoas vivenciam no app é deles. Muitos estão cobrindo histórias difíceis, às vezes, em condições perigosas e, em alguns casos, documentando conflitos que acontecem em suas próprias comunidades e bairros. Isso exige um compromisso emocional e profissional profundo.

Conte para nós como surgiram seus primeiros conceitos.

Baumel: Desde o início, queríamos que o Primary fosse estruturado em torno de jornalistas em atividade. Em muitos casos, nossos colaboradores já estavam nesses locais realizando cobertura. A captura espacial passou a funcionar como uma camada adicional de narrativa — não como uma produção paralela. Alguns já tinham iPhones compatíveis. Em outros casos, fornecemos aparelhos para que pudessem filmar em vídeo espacial enquanto seguiam com seu trabalho jornalístico cotidiano.

A brass and percussion band of approximately eight musicians performs in front of a vibrant graffiti mural in orange, pink, and blue. The musicians in the foreground wear white dress shirts, dark ties, and suspenders, and are playing snare drums and cymbals, while brass players with a trombone and trumpet stand behind them. The image is a paused video frame, shown with a media player control bar visible along the bottom.

Quem você tinha em mente ao pensar no impacto do seu app? De que forma essa responsabilidade influenciou as escolhas feitas ao longo do caminho?

Axelrod: Desde o início, refletimos sobre a lacuna que existe na cobertura de notícias internacionais. Há histórias importantes acontecendo diariamente que recebem pouca atenção ou desaparecem rapidamente do debate público. Queríamos criar uma forma de aproximar as pessoas desses lugares e desses acontecimentos.

Isso gerou um verdadeiro senso de responsabilidade — tanto em relação às pessoas que apareciam nas histórias quanto ao público que as assistia. Queríamos que a reportagem transmitisse solidez e honestidade, sem sensacionalismo. Isso orientou muitas das decisões que tomamos. Mantivemos a narrativa relativamente direta, buscamos permanecer o mais próximos possíveis do trabalho jornalístico e colaboramos com profissionais que já conheciam bem os lugares que estavam cobrindo.

Também sentíamos uma responsabilidade profunda em relação aos jornalistas e colaboradores que trabalharam intensamente — e, em alguns casos, enfrentaram riscos concretos — para documentar essas histórias. Muitos dos profissionais que filmavam para Primary já estavam no terreno, atuando em condições difíceis. Para nós, era essencial que o seu trabalho pudesse ser visto e vivido pelo público de maneira verdadeiramente significativa.

Em que momento você sentiu que o design do app realmente se encaixou?

Axelrod: Quando as pessoas começaram a assistir às histórias, a resposta foi imediata. Os espectadores frequentemente falavam sobre se sentirem genuinamente presentes em um lugar, em vez de simplesmente assistir à cobertura dele. Foi nesse ponto que entendemos que o formato podia criar um tipo diferente de conexão com a reportagem. Isso também esclareceu algo importante para nós: o projeto nunca foi realmente sobre a tecnologia em si. O que realmente importava era oferecer às pessoas uma experiência mais próxima de eventos reais e de histórias humanas autênticas.

Que conselho você daria a um desenvolvedor ou designer que está começando?

Baumel: Aproveite ao máximo as forças do ecossistema para o qual você está criando. Cada dispositivo Apple oferece um tipo de experiência, e pensar em como essas experiências se conectam pode moldar o produto de maneiras decisivas. Para nós, iPhone, vídeo espacial, áudio espacial, AirPods, AirDrop, fluxos de edição na mesa e Apple Vision Pro passaram a formar uma cadeia integrada, não ferramentas isoladas. Muitos dos avanços vieram justamente de entender como essas peças podiam funcionar juntas de modo natural, em vez de tentar encaixar o app em convenções antigas de mídia.


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